Desde o dia 31/03/2010, dia da primeira e única consulta com o tal de proctologista, vivia num misto de ansiedade e nervosismo. A intervenção cirúrgica ficou desde logo marcada e, ao falar com as pessoas mais próximas, todos conheciam um ou vários casos. Confesso que depois de ouvir alguns relatos só me apetecia cortar os pulsos ou, no mínimo, telefonar ao meu médico e comunicar-lhe a anulação da operação. Os cenários não podiam ser mais negros: doloroso, insuportável, a zona é muito delicada e húmida (como se isso eu já não soubesse!!!!!!!) blá, blá, blá …! Também ouvi aqueles, poucos por sinal, que diziam: -Oh pá, as gajas também têm filhos, ficam todas lixadas e a zona também é delicada e húmida. E daí? Vai tudo ao sítio e rapidamente. Coragem!
E assim foi. Na véspera preparei o saco rodeado de incertezas e de difíceis decisões: qual o pijama mais adequado; que chinelos de quarto – clássicos ou babuchas; que perfume usar (Issey Miake, Narciso Rodrigues ou Dior Homme). Partilhei estas minhas incertezas sem que me levassem a sério. Um drama terrível!
Lá me decidi por um fresco e alegre pijama em tons de verde e castanho, as minhas adoradas babuchas marroquinas e o meu eterno Issey Miake. Com esta escolha sentia-me confiante e determinado. E lá vou eu em jeito de quem vai para uma viagem de recreio.
Foi tudo muito rápido. Dei entrada na Ordem da Trindade e 10 minutos depois estava no quarto. Preparava-me para enviar uma mensagem e entra a enfermeira que me comunica que está tudo à minha espera no bloco operatório. Quase que me dava uma coisa ruim. Toca a despir, vestir uma bata XPTO e ala que se faz tarde. Deitado na cama rolante entro em grande estilo no bloco operátorio. Sou entusiasticamente saudado por toda a equipa: ele era “senhor doutor” para cá, “senhor professor” para lá, eu sei lá que mais coisas me chamaram!!!!! Pensei eu: agora estão com estas lamechices todas, quando me apanharem anestesiado vão-me ao cu. Coragem, não há-de ser nada!
Eis que chega o meu amigo do cu-ração, o chefe da equipa. Também ele, e em grande alarido, me cumprimenta: - Como está senhor professor? Bem-disposto?
Bem … eu olho para o homem e fico estupefacto. Então não é que o homem estava nu só com uma bata de alças em cima do pelo. Pensei eu: o que é que isto quer dizer? Noutras circunstâncias eu sei de cor o que quer dizer, aqui e nesta situação confesso que não tenho experiência nenhuma, isto é, era completamente virgem. Estava eu neste meu dilema e …
Não me lembro de mais nada. Confesso que tenho imensa pena, uma vez que a melhor parte deve ter sido aquela que eu estava a dormir. Não é justo!
Já no meu quarto, por volta das 11 horas, recebo a visita do meu médico e, a julgar pelo seu ar de felicidade, deu para perceber que se tinha divertido. Confesso que estive quase a perguntar-lhe: - Gostastesssss? Mas não. Não tive coragem!
terça-feira, 27 de abril de 2010
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2 comentários:
Um bem-haja ao senhor médico!
Além de te tratar tão bem despertou-te uma escrita reveladora do teu elevado sentido de humor... que cativa todos aqueles que te rodeiam.
Quero mais, tá?
tenho a certeza que gostou, afinal tens um cu extraordinário!
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